Com o objetivo de combater a segregação e discriminação das pessoas com doença mental e, assim, contribuir para a inclusão e participação social destes doentes, a Feira Nacional de Artesanato associa-se, este ano, ao Hospital de Magalhães Lemos (ULS de Santo António, EPE), no Porto, para apresentar a exposição “Anjos e Demónios – Combater o Estigma na Doença Mental“.
A arte como instrumento terapêutico, de expressão emocional, facilitadora da promoção da Saúde Mental será, assim, o tema de destaque da 47ª Feira Nacional de Artesanato (FNA), a realizar em Vila do Conde, de 26 julho a 10 agosto.
Uma exposição coletiva de trabalhos artísticos produzidos pelos utentes do Serviço de Reabilitação Psicossocial do Hospital Magalhães Lemos dará a conhecer uma seleção de peças, sobretudo de cerâmica e pintura, realizadas nos diversos ateliers criativos da instituição.
Considerando que cerca de 20% da população mundial vive com problemas de doença mental e que Portugal é o segundo país da Europa com maior taxa de prevalência de doenças psiquiátricas (quase um em cada quatro portugueses sofre de uma perturbação mental) impõe-se que o tema da Saúde Mental gere um debate cada vez mais sério e amplo, quer no domínio das políticas públicas, quer na sociedade em geral.
Respondendo ao desafio da Política de Saúde Mental adotada pela União Europeia nos últimos anos, a organização da Feira Nacional de Artesanato cumpre, assim, o seu compromisso de responsabilidade social e humana na promoção da capacitação e autodeterminação das pessoas com doença mental.
Abraçando os ideais da campanha de sensibilização da UE #InThisTogether (Estamos Nisto Juntos), a exposição “Anjos e Demónios – Combater o Estigma na Doença Mental” permitirá que o talento e criatividade dos utentes do Serviço de Reabilitação Psicossocial do HML ganhem palco no mais conceituado evento nacional de promoção das artes tradicionais portuguesas.
No Serviço de Reabilitação Psicossocial do Hospital Magalhães Lemos são realizadas diversas oficinas criativas: cerâmica, pintura, lavores, tipografia, música, teatro, dança, entre outras, de que resultam centenas de trabalhos, facilmente, enquadrados no conceito da Art Brut ou Outsider Art (Arte Bruta ou Arte Marginal).
A expressão Art Brut foi criada pelo pintor francês Jean Dubuffet, com o objetivo de caraterizar o trabalho produzido fora do sistema tradicional e profissional da arte, que o artista considerava mais autêntico e verdadeiro que o dos artistas eruditos. O conceito engloba produções muito diversificadas realizadas por crianças, por doentes mentais e até por criminosos. Apresentam em comum um carácter espontâneo e imaginativo.
A Arte Bruta toma, portanto, as correntes naïf como ponto de partida, sendo os seus artistas completamente autodidatas. Exatamente como acontece com a maioria dos artesãos nacionais, de que Rosa Ramalho será, porventura, o exemplo maior.
O paralelismo entre o artesanato tradicional, sobretudo no domínio da cerâmica, e as obras produzidas pelos utentes do Hospital Magalhães Lemos será colocado em evidência, destacando-se, igualmente, os inúmeros benefícios da Arte para a Saúde Mental, onde se incluem a promoção da criatividade, da concentração e da memória, além de aumentar a autoestima e reduzir o stress e a ansiedade.
A par da exposição “Anjos e Demónios – Combater o Estigma na Doença Mental”, o Serviço de Reabilitação Psicossocial do HML irá dinamizar, no recinto da Feira Nacional de Artesanato, oficinas criativas, orientadas pelos próprios utentes, convidando os visitantes do certame à exploração dos seus talentos criativos e, assim, facilitando a comunicação e promovendo a empatia como meio de desmistificação da doença mental. As oficinas criativas irão decorrer nos dias 27 julho, 2 e 9 agosto, das 16h00 às 18h00, estando abertas à participação de todos os interessados.
Também no dia 2 agosto, pelas 18 horas, será realizada a performance teatral “As minhas noites são maiores que os vossos dias“, pelo Psiquê – Grupo de Teatro Terapêutico do Hospital Magalhães Lemos, com direção artística de João Pereira.
