Entre o compasso dos bilros e a destreza das mãos das rendilheiras, a Feira Nacional de Artesanato celebra um dos seus acontecimentos mais emblemáticos: o Dia da Rendilheira.
Cerca de duas centenas de rendilheiras, de diferentes gerações, sentam-se lado a lado para mostrar ao público uma arte que continua a ser um dos maiores símbolos identitários de Vila do Conde.
É este o espírito do Dia da Rendilheira, a celebrar no próximo domingo, 2 de agosto, uma iniciativa que reúne as rendilheiras vilacondenses num momento de celebração, partilha e demonstração pública de um saber-fazer secular.
Integrado na 48.ª edição da Feira Nacional de Artesanato, o Dia da Rendilheira constitui um dos momentos mais simbólicos e aguardados do certame, reafirmando o compromisso da Câmara Municipal e da Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde (ADAPVC) com a valorização, promoção e salvaguarda das Rendas de Bilros.
Criado em 1992, no âmbito da 15.ª Feira Nacional de Artesanato, o Dia da Rendilheira tornou-se uma tradição incontornável da programação da FNA, reunindo anualmente rendilheiras de diferentes gerações em torno da almofada e dos bilros, num testemunho vivo da continuidade desta arte. Ao longo do dia, o recinto da Feira transforma-se num verdadeiro atelier ao ar livre, onde o público pode acompanhar de perto a execução das rendas, conhecer as técnicas de produção e dialogar com quem mantém vivo este património transmitido de geração em geração.
Mais do que uma homenagem às mulheres que dedicaram, e continuam a dedicar, a sua vida à arte de entrelaçar os bilros, esta iniciativa pretende dar visibilidade ao papel fundamental da comunidade rendilheira na preservação de um saber-fazer que constitui um dos mais relevantes símbolos identitários de Vila do Conde. É também uma oportunidade para sensibilizar o público para a importância da transmissão intergeracional destes conhecimentos e para o valor cultural, social e económico das Rendas de Bilros.
A edição deste ano assume um significado ainda mais especial por coincidir com a realização da Operação de Inscrição das Rendas de Bilros de Vila do Conde no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI), promovida pela ADAPVC e cofinanciada pelo Programa NORTE 2030. Para além de constituir um importante instrumento de salvaguarda deste património, a inscrição no INPCI representa um passo indispensável para a futura candidatura das Rendas de Bilros à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, objetivo que se encontra em sintonia com o tema central da Feira Nacional de Artesanato deste ano, dedicado às manifestações portuguesas já reconhecidas por aquela organização internacional.
Neste contexto, o Dia da Rendilheira representa muito mais do que uma demonstração artesanal. É um momento de participação comunitária e de valorização pública de um património vivo, onde as próprias detentoras deste saber-fazer assumem um papel central na sua divulgação e preservação. Ao reunir rendilheiras, visitantes e entidades parceiras, a iniciativa contribui para reforçar o reconhecimento das Rendas de Bilros como uma manifestação cultural de excecional relevância no panorama do património imaterial português.
Ao longo da sua história, a Feira Nacional de Artesanato tem sido um dos principais palcos de promoção das Rendas de Bilros, acolhendo demonstrações ao vivo, oficinas, exposições e encontros dedicados a esta arte. O Dia da Rendilheira constitui, por isso, a expressão maior desse compromisso, transformando a Feira num espaço privilegiado de encontro entre tradição, memória e futuro.
A entrada é livre e constitui um convite a todos quantos desejam conhecer de perto a mestria das rendilheiras, celebrar um património que continua vivo e testemunhar uma arte que, há séculos, faz parte da identidade e da história de Vila do Conde.
